DOR, UM INSTRUMENTO DE CURA

O que mais nos amedronta neste mundo é a dor. Todos os seres vivos têm medo de uma coisa – a dor. Se você fizer uma análise  profunda, descobrirá que as pessoas não temem nem sequer a morte tanto quanto temem a dor e a agonia a que terão que se submeter na hora da morte.

Meu entendimento dessa manifestação é simples: A DOR É APENAS UM DOS VÁRIOS, INSTRUMENTOS PARA A CURA.

A dor apresenta uma vantagem sobre os demais instrumentos para a cura: ela faz com que o indivíduo perca a capacidade  e os meios de fugir de si mesmo.

Mas o que é a dor?

A dor pode ser física, mental ou emocional.

A dor física é a menor de nossas preocupações!  De certa forma, é uma necessidade básica do corpo. A dor é o símbolo da sabedoria corporal. É a dor que faz de nós seres humanos integrados.

No nível mental ou emocional, a dor costuma ser o resultado de alguma forma de julgamento. A dor, sempre, surge da resistência ao momento presente. Significativamente, toda vez que você sofre de alguma dor, ela deixa para trás um resíduo que fica armazenado no corpo.

Pesquisas revelam como o desequilíbrio emocional pode perturbar profundamente o corpo físico. A repressão sexual, por exemplo, pode provocar dor nas costas; a percepção de estar assumindo responsabilidade em demasia pode ocasionar dor nos ombros.

De fato, poderíamos dizer que a dor é uma carta de solicitação escrita pelo corpo e endereçado à mente, dizendo: “Por favor, preste atenção em mim”.  Porque para onde quer que você volte a sua atenção, é para lá que sua energia é direcionada. Ao sentir a dor, querendo ou não, independente de como cada um faz contato consigo, torna-se inevitável o sentir-se, o olhar para si, o ver-se fora do que é considerado saúde e estabilidade.

Através da vivência da dor, o corpo exerce linguagens que pretende ativar planos de consciência latentes. Isto faz com que, de uma forma clara e proveitosa, o indivíduo se ocupe de pensar sobre a sua vida.

Esse momento acontece mesmo que já não haja mais oportunidade do corpo fazer o movimento de cura e fazer retroceder o que lhe foi lesivo. Ainda assim, mesmo que seja através da dor e do sofrimento, chega-se à consciência – disso.

A condição de fragilizado inibe, em qualquer um de nós, o movimento de crença e de apropriação do próprio poder, da própria força. Em função do conceito de fragilização, o indivíduo passa a desacreditar no seu potencial de fortalecimento, se faz dependente, se entrega nas mãos do outro.

Poucas pessoas acreditarão que todas as suas dores são causadas por elas mesmas, como se fossem convidados de honra em sua própria casa. No entanto, essa é a verdade. Nossos hábitos imoderados e estilo de vida estressante causam dor e doença a nós mesmos, e depois, esquecendo-nos por completo do que fizemos, reclamamos quando a doença vem nos cobre seu tributo!!!

Mas, é preciso parar de dizer e reforçar que quem está adoecido, fragilizado, necessita deixar de fazer coisas ou que passe a tomar cuidado com coisas que lhe são importantes, pois essas restrições podem ser causa de mais adoecimento. Há um equívoco em pensar que a dor e o sofrimento querem tirar algo.

A dor quer que o que esteja sendo feito e vivido, seja experimentado de formas diferentes, de formas diversas, que seja vivido com todas as variedades para que o indivíduo descubra o melhor jeito de viver uma característica que é sua, peculiar, individual e essencial para seu processo de autoconhecimento, quer seja uma característica do momento ou de toda a vida.

A dor é como um feixe de relâmpago. Só depende de você usar a dor, ou ser usado por ela. Se você usa-la para examinar o seu Ser, perceberá que você é a causa da sua própria dor e só você pode ser a solução.

A dor não quer ser conduzida pelo outro, mesmo que esse outro seja quem se propõe a ajudar. Ela quer ser entendida, conhecida e aproveitada por quem a sente e vive.

A dor não quer ser dominada.

O desejo da dor, é de não mais ser necessária.

A dor é uma consciência.

A dor é um instrumento de cura.